segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Alzheimer- Parte da Cartilha da Abraz

O que é doença de Alzheimer (DA)?
A DA é uma doença progressiva, de causa e tratamento ainda desconhecidos que acomete preferencialmente as pessoas idosas. Foi descrita pela primeira vez, pelo médico alemão Alois Alzheimer em 1906. Essa doença é erroneamente conhecida pela população como "esclerose" ou caduquice. É uma forma de demência cuja causa não se relaciona com a circulação ou com a aterosclerose. É devida a morte das células cerebrais que leva a uma atrofia do cérebro.

Quais são os sintomas?
No começo são os pequenos esquecimentos normalmente aceitos pelos familiares como parte do processo de envelhecimento, que vão se agravando gradualmente.
Os pacientes tornam-se confusos e por vezes agressivos, passam a apresentar alteração da personalidade, com distúrbios de conduta e terminam por não reconhecer os próprios familiares e até a si mesmos quando colocados frente a um espelho.
A medida que a doença evolui, tornam-se cada vez mais dependentes de terceiros, iniciam-se as dificuldades de locomoção, a comunicação se inviabiliza e passam a necessitar de cuidados e supervisão integral, até mesmo para as atividades elementares do cotidiano como alimentação, higiene, vestir, etc.

O que causa a DA?

Atualmente a causa da DA ainda é desconhecida, entretanto sabe-se que a DA não é causada por endurecimento das artérias; pouco ou muito uso do cérebro; sexo; infecções; envelhecimento; exposição ao alumínio ou outro metal.

Porque o diagnóstico é importante?

Quanto antes for feito o diagnóstico, mais o familiar/cuidador poderá ser preparar para atender melhor ao portador e principalmente conhecer as expectativas futuras. O diagnóstico inicial é o primeiro passo para planejar o futuro. Não existe um teste único para o diagnóstico. O diagnóstico de DA é feito através do exame cuidadoso da história do paciente relatada por seu familiar junto com o exame físico e mental do paciente. É importante excluir outras hipóteses diagnósticas que causam perda de memória como: infecções, problemas tireoidianos etc.

Existe tratamento para a DA?

Não. Até o momento não existe um tratamento curativo para a DA. Algumas medicações específicas podem retardar a progressão da doença; outras podem ajudar a minimizar a freqüência e gravidade dos distúrbios de humor e comportamento. Portanto, lembre-se: apenas o médico é capaz de fazer a opção terapêutica mais adequada em cada caso. Entretanto saiba que uma série de atividades poderá ser desenvolvida pelo portador e junto a ele, estimulando-o e preservando habilidades atuais, facilitando assim, o dia-a-dia do familiar/cuidador. É oportuno manter-se informado, atualizando-se com profissionais especializados que atuam com portadores e seus familiares.

Cuidando do portador de DA

Cuidar de uma pessoa portadora de DA pode ser difícil em alguns momentos. Requer principalmente amor, solidariedade e tudo que estas duas palavras englobam: paciência, dedicação e sobretudo, uma assistência que merece divisão de tarefas entre familiares, visto que, os cuidados exigem atenção nas 24 horas, gerando grande desgaste físico e emocional para aqueles que diretamente lidam com o portador. Frente a DA e a todos os problemas inerentes a ela, contamos atualmente com uma poderosa arma: a informação. Somente com o conhecimento do que é e do que será, teremos condições de enfrentar tão árdua tarefa. Portanto, VAMOS UNIR FORÇAS!! Para facilitar o seu trabalho, selecionamos algumas "dicas" que podem auxiliá-lo no seu dia-a-dia:


· Estabeleça rotinas, mas mantenha a normalidade: uma rotina pode facilitar as atividades que você deverá fazer e ao mesmo tempo estruturar um novo sistema de vida. A rotina pode representar segurança para o portador, porém embora ela possa ajudar é importante manter a normalidade da vida familiar; procure tratar o portador da mesma forma como o tratava antes ;
Incentive a independência: é necessário que o portador receba estímulos a sua independência. Faça com ele e não por ele, respeite e preserve sua capacidade atual de realizar atividades de vida diária. Supervisione, auxilie e faça por ele, apenas quando não houver nenhuma capacidade para execução de determinada tarefa. Isto o ajudará a manter a auto-estima, o respeito próprio e conseqüentemente diminuirá a ansiedade do familiar;
Ajude ao portador a manter sua dignidade: lembre-se que a pessoa de quem você cuida é ainda um indivíduo com sentimentos. O que você ou outros familiares fazem ou falam em sua presença podem perturbá-lo. Evite discutir sobre as condições do portador na sua presença.
Evite confrontos: qualquer tipo de conflito pode causar estresse desnecessário em você e/ou no portador. Evite chamar atenção e mantenha a calma de maneira a que a situação não piore. Lembre-se que por mais que pareça proposital, é a doença que ocasiona momentos de agitação, agressividade, etc. não é culpa do portador. Tente identificar qual ou quais fatores que podem ser responsáveis pela alteração apresentada, e a partir daí, trabalhe para eliminá-los;
Faça perguntas simples: mantenha uma conversa simples, sem incluir vários pensamentos, idéias ou escolhas; as perguntas devem possibilitar respostas com "sim" ou "não"; perguntar "você quer laranja?" é melhor do que "que fruta você gostaria de comer?".
Mantenha seu senso de humor: procure rir com (e não rir do) o portador de DA Algumas situações podem parecer engraçadas para você, mas não são para ele. Mantenha um humor saudável e respeitoso, ele ajuda a diminuir o estresse.
Torne a casa segura: a dificuldade motora e a perda de memória podem aumentar a possibilidade de quedas, por isso você deve trazer o máximo de segurança para sua casa: verifique tapetes, mesas de centro, móveis com quina, objetos de decoração, escadas, banheiras, janelas, piscinas, etc.
Encoraje o exercício e a saúde física: em alguns casos, o exercício físico pode colaborar para que o portador mantenha suas habilidades físicas e mentais por um tempo maior. O exercício apropriado depende da condição de cada pessoa. Consulte o médico para melhores informações.
Ajude a manter as habilidades pessoais: algumas atividades podem incentivar a dignidade e o respeito próprio dando propósito e significado à vida. Uma pessoa que antes foi uma dona de casa, um motorista, um professor ou um executivo pode ter maior satisfação usando algumas das habilidades relacionadas ao seu serviço anterior. Lembre-se entretanto, que a DA é progressiva e os gostos ou habilidades das pessoas acometidas pela doença, fatalmente mudarão com o tempo. Conhecer estes detalhes exigirá de você, familiar/cuidador, maior observação para que, dessa forma, seja possível um planejamento de atividades compatíveis com o grau de dependência apresentado pelo portador.
Mantenha a comunicação: com o avanço da doença, a comunicação entre você e o portador pode tornar-se mais difícil. As seguintes dicas a seguir poderão ajudá-lo: tenha certeza de que a atenção do portador não está sendo prejudicada por outros fatores; fale clara e pausadamente, frente a frente e olhando nos seus olhos; demonstre amor através do contato físico; preste atenção na linguagem corporal – pessoas que perdem a comunicação verbal, comunicam-se muito com os gestos e ainda procure identificar quais as lembranças ou palavras-chave que podem ajudá-lo a comunicar-se efetivamente com o portador.
Use artifícios de memória: para alguns portadores o uso de artifícios de memória pode ajudá-lo a lembrar-se de ações cotidianas e prevenir confusões, como por exemplo: mostre fotografias dos familiares com seus nomes para ajudá-lo a reconhecer quem é quem no ambiente familiar, cante as músicas que ele gosta. Lembre-se no em tanto, que com o avançar da doença estes artifícios não mais terão o resultado esperado.

Sugestões práticas para o dia-a-dia

As seguintes sugestões foram extraídas das experiências de outros cuidadores. Oriente-se por elas:

Banho e higiene pessoal: o portador de DA pode esquecer-se da necessidade de banhar-se ou mesmo de como fazê-lo. Nesta situação é importante respeitar a dignidade da pessoa quando oferecer ajuda.

Procure fazer do horário do banho um momento agradável; utilize o chuveirinho ao invés do chuveiro; manter a rotina do banho; permita que o portador banhe-se por si próprio, fazendo por ele somente quando não houver mais condições e ainda, torne o banheiro seguro.

Vestir-se: o portador de DA freqüentemente esquece-se como vestir-se e ainda pode não reconhecer a necessidade de mudar suas roupas. Para facilitar esse momento, procure deixar as roupas na ordem para que o portador posa vestir-se por si próprio; evite roupas com acessórios complicados, como cintos, botões, fivelas, etc.; encoraje a independência no vestir-se por maior tempo possível. Nunca o apresse. ORIENTE-O!!! e também não utilize sapatos com solado de couro, prefira os calçados com solado antiderrapante. Evite chinelos.

Incontinência: o portador de DA pode perder a habilidade de reconhecer quando ir ao banheiro, onde é o banheiro ou ainda, o que fazer quando vai ao banheiro. Organize horários para o portador ir ao banheiro; deixe a porta do banheiro aberta e a noite deixe com uma luz acesa e ainda verifique que as roupas utilizadas possam ser fáceis de serem tiradas.

Cozinhar: o portador de DA perde sua habilidade em cozinhar conforme a progressão da doença. Este fato representa um sério problema caso o portador more sozinho ou insista em preparar pessoalmente a alimentação da família; a dificuldade na coordenação motora e a falta de visão dos perigos que o ato de cozinhar oferecem, podem levar o portador a sofrer riscos desnecessários em sua própria casa. Ajude-o a tornar o ato de cozinhar uma atividade prazerosa e compartilhada entre cuidador e portador. Dê a ele tarefas simples que não ofereçam perigo e também retire os elementos cortantes da cozinha ou aqueles que ofereçam riscos.

Alimentação: o portador de DA freqüentemente esquece que já se alimentou ou até mesmo como usar os talheres. O momento da refeição precisa ser acompanhado e supervisionado e em alguns casos, o portador precisa ser alimentado pelo seu familiar/cuidador. Alguns problemas poderão surgir como, por exemplo, a dificuldade de deglutição e engasgos. Procure servir alimentos que podem ser manipulados com as mãos; corte os alimentos em pequenos pedaços, e em alguns casos, estes devem ser triturados; lembre ao portador de comer vagarosamente e ainda sirva uma pequena porção de alimentos de cada vez.

Dificuldade para dormir: o portador de DA costuma apresentar dificuldades para dormir invertendo o dia pela noite e isto acaba por causar um desgaste enorme ao cuidador. Assim, não permita o sono durante o dia; envolva o portador em atividades agradáveis; peça ajuda do portador para tarefas simples e procure caminhar e dar sempre atividades físicas ao portador durante o dia.

Comportamento repetitivo e impróprio: o portador de DA pode esquecer-se do que acabou de dizer e do que fez há pouco tempo, levando-o a repetir inúmeras vezes sua fala e atos. Também é bastante comum, o portador de DA ser "o sombra" de seu familiar/cuidador – está sempre atrás, indo em todos os lugares aonde o familiar/cuidador vai. Este comportamento torna-se desgastante e irritante para quem cuida, cerceando sua liberdade; entretanto, isto pode representar insegurança do portador ou até mesmo medo de que o familiar vá embora e não volte mais – transmita confiança através de palavras e gestos carinhosos.
Outro comportamento que pode vir a ocorrer, é quando o portador despe-se na frente de visitas ou de outros familiares, quando manipula a genitália ou ainda quanto toca outros de maneira imprópria. Lembre-se que a capacidade crítica de julgamento podem estar comprometidas e, uma simples sensação de calor, pode levar o portador a despir-se em público; distraia a atenção do portador, oferecendo-lhe algo para ouvir, ver ou fazer e incentive-o a fazer uma nova atividade física; abrace-o e tranqüilize-o se for o caso.

Perder coisas e acusar: o portador de DA esquece-se de onde colocou os objetos e por isso ele poderá acusar o familiar/cuidador ou outras pessoas de o terem "roubado". Este comportamento é causado pela insegurança combinada com o sentimento da perda de memória. Para prevenir, descubra quais são os esconderijos preferidos do portador e mantenha cópia de objetos importantes, como por exemplo, as chaves; verifique ainda os cestos de lixo antes de descartá-los.

Alucinações: é relativamente comum a presença de alucinações; o portador de DA pode ouvir e ver pessoas, objetos, animais ao seu lado, no quarto, embaixo da cama etc. Pode também se olhar no espelho e conversar consigo mesmo como se fosse um velho amigo; em alguns casos a sua imagem refletida no espelho pode agitá-lo, pois pensa que se trata de alguém que veio roubá-lo ou fazer-lhe algum mal.

Quando isto acontecer, não discuta com o portador sobre a veracidade do que ele está vendo ou ouvindo, tente identificar a causa da alucinação - ela pode estar no ambiente do portador, por exemplo, um objeto de decoração colocado em uma sala mal iluminada, uma planta que balança com o vento e produz sombra; quando o portador mostrar medo, conforte-o com voz calma e segure sua mão para transmitir-lhe segurança e distraia-o chamando sua atenção para algo real no ambiente.

Perambulação: este é o problema mais comum apresentado pelo portador de DA e que o familiar/cuidador precisará se preparar. O portador caminha quilômetros dentro de casa e se sair de casa, sem acompanhante, poderá vir a se perder – procure colocar etiquetas internamente no vestuário ou cartões com identificações do nome, endereço e telefone do portador e de seus familiares – Segurança é a primeira regra para cuidar de uma pessoa portadora da doença. É sempre conveniente que os familiares tenham fotos recentes do portador, para o caso de eventual perda e da necessidade de solicitar ajuda.

Violência e agressividade: de tempos em tempos, o portador de DA pode apresentar raiva, agitação ou agressividade e isto pode acontecer por uma série de razões como: sensação da perda do controle social e do discernimento; perda da habilidade de expressar sentimentos e também a perda da habilidade de entender as ações de outras pessoas. Pode significar também algum problema de saúde como desidratação, infecções que podem ser urinárias ou pulmonares ou ainda outro mal estar. Atenção! Mudanças comportamentais súbitas e persistentes não são esperadas; se ocorrerem contate seu médico.

Nestes casos, mantenha calma e não demonstre medo ou ansiedade, procure chamar a atenção do portador para uma atividade mais calma. Se a agressividade persistir ou se tornar mais freqüente, o familiar/cuidador precisa procurar ajuda conversando com o médico e com outros familiares que possam colaborar no cuidar do portador.

Depressão e ansiedade: o portador de DA pode apresentar períodos de depressão levando-o a comportamento introspectivo e infeliz e isto acaba por afetar sua atividade de vida diária, uma vez que perde interesse pelas coisas que antes fazia e até mesmo pela alimentação, fato responsável por quadros de desnutrição e desidratação, e que geram grande aflição ao familiar/cuidador. Converse com o médico do portador, e dê ainda mais amor a este portador; não espere que esta depressão e ansiedade melhorem imediatamente - procure identificar as causas e converse com o médico, se houver necessidade de ajuda terapêutica. Lembre-se: você não verá melhora imediata; este tipo de medicação exige um tempo maior de uso para apresentar resultados positivos.